Resolvendo problema de caps/num lock nos programas ‘RDP Client’
No dia 17 de março a Apple apresentou ao mundo um preview do que será a nova versão do sistema operacional do iPhone, o iPhone OS 3.0.
Cada nova versão do sistema é esperada com fervor por usuários e analistas, e não foi diferente desta vez. Muitos apostavam que recursos como “copiar e colar” e suporte a MMS finalmente chegariam à plataforma, enquanto outros iam além, afirmando que o iPhone OS 3.0 traria mudanças profundas no modo como o próprio hardware é gerenciado. Mas rumores não passam de rumores e só mesmo uma apresentação oficial para sanar nossas dúvidas. Mas, afinal, o que sabemos agora sobre o iPhone OS 3.0?
Vou tentar resumir o que foi apresentado, sem me aprofundar muito. Quando finalmente puder rodar o sistema em meus aparelhos, farei uma análise pessoal mais detalhada. Por enquanto só podemos afirmar que alguns dos maiores desejos dos usuários do iPhone finalmente serão atendidos em junho, quando o update for liberado oficialmente.
Primeiro, a Apple apresentou as novidades para os desenvolvedores. Para eles, o OS 3.0 é um prato cheio.
1. API do Google Maps
Como uma API, o Google Maps agora pode ser inserido em qualquer aplicativo. Teremos uma enxurrada de aplicativos com suporte a GPS e, mais importante, com suporte a localização ponto-a-ponto. Mas a Apple avisa: para aplicativos ponto-a-ponto, não será possível usar os mapas do Google por questões legais. Os desenvolvedores deverão usar seus próprios mapas ou adquirir o direito de uso de mapas de terceiros. Resumindo: Bring Your Own Maps (BYOM).
2. Push notifications
Recurso prometido há meses, mas só agora implementado por questões de segurança. Com suporte a notificações via push, um aplicativo pode ser encerrado e continuar recebendo dados da rede. Em um exemplo prático, um programa de mensagens instantâneas pode ser notificado da existência de novas mensagens mesmo depois de fechado.
3. Conexão peer-to-peer por Bluetooth
iPhones poderão trocar dados por Bluetooth, permitindo uma nova geração de aplicativos, como jogos em rede, por exemplo. A conexão será transparente e automática, ou seja, é a tecnologia Bonjour dos Macs funcionando nos iPhones.
4. Comunicação por voz
Com a nova versão, os desenvolvedores poderão proporcionar recursos de comunicação por voz em seus aplicativos. Os jogos serão os beneficiados mais evidentes pois os jogadores poderão participar de chats via voz durante as partidas.
5. Acesso à biblioteca musical
Qualquer aplicativo poderá acessar e reproduzir as músicas armazenadas no iPhone. Em um exemplo prático, a Eletronic Arts demonstrou o beta da versão de The Sims para o iPhone, onde um personagem podia tocar as músicas do usuário no aparelho de som de sua sala virtual.
6. App Store
A loja de aplicativos da Apple também será atualizada para dar suporte a assinaturas. Um usuário poderá, por exemplo, comprar um aplicativo de uma revista e assinar os fascículos periódicos, da mesma forma que poderá comprar um jogo com um número restrito de fases e posteriormente ampliá-lo comprando fases adicionais.
7. Controle de hardware
Com o novo OS será possível controlar diretamente o hardware ligado ao conector do iPhone. Ele poderá, assim, servir de interface de controle para uma série de novos equipamentos que provavelmente chegarão ao mercado.
É possível afirmar que esses novos recursos despertarão a criatividade dos desenvolvedores que nos apresentarão toda uma nova geração de aplicativos.
Mas e para nós, usuários? É aí que o iPhone OS 3.0 esbanja recursos…
1. Copiar e colar
Sim, é verdade: com o OS 3.0, os usuários finalmente poderão fazer o que todos faziam com os smartphones da concorrência: selecionar trechos de textos e copiá-los em mensagens e anotações. O método demonstrado pela Apple parece ser interessante e até mais simples do que os métodos aplicados pelos dois aplicativos disponíveis para os iPhones jailbroken (via Cydia). Ao dar um duplo clique sobre um texto, o trecho é selecionado automaticamente e um balão exibe as opções cut, copy e paste. A seleção também pode ser redimensionada facilmente através de âncoras de controle.
Entretanto, ao contrário do que ocorre com o hClipboard e o Clippy, o método oficial aparentemente não suportará um clipboard com múltiplos itens, ou seja, ganha em usabilidade mas perde em funcionalidade. Mas para quem nunca usou os aplicativos de cópia de texto do Cydia, esse recurso não fará falta.
Vale ressaltar que o sistema de cópia não está limitado a textos, também funcionará com imagens, acabando com a limitação de envio de uma foto por vez via email. E falando em envio de fotos, a próxima novidade não podia deixar de ser…
2. MMS
Não há muito o que descrever. O novo sistema permite enviar mensagens com fotos, além de dados de contatos em formato vCard.
3. Teclado horizontal
E, falando em mensagens, uma das críticas mais comuns ao iPhone era a falta de um teclado virtual horizontal fora do Safari. Agora o teclado virtual é onipresente, ou seja, está disponível em todo canto, do Mail ao Notes.
4. Busca avançada
O iPhone OS 2.0 nos trouxe um campo de busca no aplicativo de contatos. A versão 3.0 expande a busca de forma global através da versão móvel do Spotlight. Durante a apresentação, a nova busca se mostrou muito interessante e eficiente. Os aplicativos de terceiros terão que ser reescritos para suportar o Spotlight, mas acredito que a maior parte dos desenvolvedores atualizarão seus aplicativos sem maiores dificuldades.
Além do Spotlight, os aplicativos de email, calendário e iPod passarão a contar com um campo de busca próprio, facilitando a pesquisa ao tornar desnecessário voltar à tela inicial do iPhone para realizar uma busca. Apesar da busca no Mail não pesquisar o conteúdo das mensagens, ela pesquisa as pastas em servidores IMAP, algo interessantíssimo para quem tem uma conta de email compatível (como usuários do GMail e MobileMe).
5. Sincronização de calendários e anotações
Fazendo a ponte para o aplicativo de calendário, a versão 3.0 o tornará compatível com mais dois protocolos: o CalDav, usado pelo Google e pelo Yahoo, por exemplo, e assinatura de calendários ICS, usados pelo iCal.
O aplicativo Notes também passará a sincronizar seus dados com o iTunes, outro recurso muito solicitado pelos usuários.
6. Novidades do Safari
No novo OS, o Safari dará suporte a login automático, evitando a necessidade de preencher os campos de login nos sites mais acessados pelos usuários. Ele também terá recursos de anti-phishing similares aos da versão desktop.
7. Bluetooth A2DP estéreo
Finalmente o iPhone 3G poderá ser usado com fones de ouvido e caixas de som Bluetooth estéreo.
8. Outras novidades
Também foram citados alguns outros recursos interessantes como login automático em redes Wi-Fi protegidas, controle de acesso avançado para evitar que crianças naveguem por sites inadequados, a possibilidade de agitar o iPhone para trocar a música que está sendo reproduzida e, para ninguém dizer que deixei algo de fora, há alguns novos aplicativos: uma nova versão do programa de acompanhamento de ações em bolsas de valores (um aplicativo imprescindível nesses dias de crise mundial), um novo aplicativo de gravação de notas vocais e um novo aplicativo para troca de arquivos entre iPhones.
Ao final da apresentação o público teve a oportunidade de fazer perguntas e uma questão foi levantada sobre a liberação do uso do iPhone como modem para acesso a redes de dados 3G (3G tethering). A resposta oficial foi que isso depende dos dois lados: do hardware e da operadora de telefonia. Do lado do hardware, a Apple garante que o uso como modem será possível, isso só dependerá de permissão da operadora. Resumindo, possivelmente teremos o tão desejado 3G tethering finalmente disponível.
Boa parte das novidades já era esperada e muito já podia ser feito com os aplicativos adicionais disponíveis para os iPhones jailbroken (leia mais em meu artigo anterior sobre o iPhone) mas mesmo assim, é bom ver a Apple melhorando cada vez mais o que já era uma excelente plataforma.
Segundo a empresa, o novo OS será gratuito para os donos de todos os modelos de iPhone e custará cerca de 10 dólares para os donos de iPod Touch. Vale ressaltar que, por questões de hardware, nem todos os novos recursos estarão disponíveis no iPhone original (como suport a MMS e Bluetooth A2DP).
Agora só nos resta aguardar pelo lançamento oficial e verificar o que mais descobriremos, afinal, segundo a Apple o iPhone OS 3.0 trará mais de 100 novidades…
Neste artigo (o primeiro de três), vou fugir um pouco do universo do iPhone para escrever sobre a história do mais popular sistema operacional para smartphones, o Symbian. Nos artigos seguintes, tratarei das diferentes interfaces com o usuário e, finalmente de suas principais aplicações.
Não temos como ignorar a importância desta plataforma, responsável, em 2008, por cerca de 46% do mercado mundial de smartphones. E para entender como ela chegou a essa posição, tentarei resumir um pouco de sua história.
Oficialmente, o nome Symbian surgiu em 1998, como uma empresa pertencente à Nokia, Ericsson, Motorola e Psion. Nokia e Motorola até hoje são grandes marcas no universo dos celulares, assim como a Ericsson, hoje em parceria com a Sony na empresa que todos conhecemos como Sony Ericsson (uma joint venture formada em 2001 para a produção de celulares e smartphones). Mas quem é essa tal de Psion?
Sei que muitos de vocês ainda se recordam da Psion e de seus interessantes PDAs. Fundada em 1980, ela era uma empresa de software especializada em desenvolvimento para as plataformas ZX81 e ZX Spectrum da Sinclair Research, que aqui no Brasil ficaram conhecidas graças a micros como o TK85 e o TK90x fabricados pela Microdigital. Em 1983, o presidente da Sinclair, Sir Clive Sinclair, encomendou o desenvolvimento de uma série de aplicativos para escritório para seu próximo lançamento, o Sinclair QL, que chegaria ao mercado no ano seguinte.

Psion Organiser - 1984
Com uma boa experiência no ramo de software, a Psion sentia-se segura para lançar sua própria linha de hardware. Assim, ainda em 1984, ela apresenta o Psion Organiser, um dos primeiros computadores handheld do mundo. Baseado em um processador Hitachi 6301 de 8 bits e com míseros 2KB de memória RAM, o Organiser oferecia poucos aplicativos: banco de dados, calculadora e alarme. Não havia um sistema operacional e sua tela LCD monocromática só podia exibir uma linha de texto por vez. Entretanto, seus usuários podiam expandir a memória de seus equipamentos através do uso de DATAPAKs, cartuchos EPROM que só podiam ser apagados através da exposição a raios ultravioleta, o que os tornava pouco práticos.
Em 1986 o Psion Organiser sofreu uma importante atualização com o lançamento do Psion Organiser II. Além de melhorias no hardware, como uma nova tela LCD com suporte a duas linhas de texto, 8K ou 16K de memória RAM e um teclado mais eficiente, o Organiser II trazia também um sistema operacional básico, mas funcional. Com os novos recursos, o novo modelo podia executar um número consideravelmente maior de aplicativos e também permitia a programação em OPL (Organiser Programming Language), uma linguagem similar ao BASIC que deu origem a um grande mercado de desenvolvimento de software para a plataforma. O sucesso foi imediato. Com seu tamanho reduzido e relativa flexibilidade, o Psion Organiser II tornou-se um ótimo equipamento para coleta de informações em campo, sendo usado tanto por funcionários de lojas de departamento quanto por funcionários do governo britânico.

Psion MC400 - 1989
Entretanto, a linha Organiser ainda não rodava nada similar ao Symbian. Mas com a experiência adquirida com a produção destes equipamentos, a Psion estava pronta para lançar sua primeira família de handhelds de 16 bits, a família SIBO (Sixteen Bit Organisers), originalmente representados pelos modelos MC200, MC400 e MC600. No coração desses equipamentos havia um microprocessador 80C86 (compatível com o Intel 8086), o que permitia ao modelo MC600 ser vendido com o MS-DOS 3.2 pré-instalado. Mas eram nos modelos MC200 e MC400 que estava o embrião do Symbian: a primeira versão de um sistema operacional de 16 bits chamado EPOC.
Apesar do fracasso da linha MC (os modelos não eram muito portáteis, tinham um tamanho similar aos netbooks de hoje), o EPOC foi o sistema usado na família sucessora, a Series 3, lançada em 1991 e que permaneceu no mercado até 1998, com a introdução do modelo Series 3mx (nesta época, o sistema era conhecido como EPOC16). Com tamanho reduzido e graças à simplicidade de sua interface gráfica, os PDAs Series 3 fizeram grande sucesso, sobretudo no mercado britânico.

EPOC no Psion Series 3
Em 1997, um ano antes do fim da Series 3, a Psion introduziu a Series 5. Sua maior diferença estava em seu hardware de 32 bits (beseado em um processador ARM710T, para o qual um novo sistema operacional foi desenvolvido. O mundo conhecia o EPOC32. Apesar da semelhança nos nomes, o EPOC16 e o EPOC32 eram sistemas totalmente diferentes. Suas interfaces eram similares, mas o EPOC32 foi totalmente desenvolvido em C++, o que lhe conferia um desempenho muito superior.

Psion Series 5mx
Apesar de sua excelente qualidade, os modelos da Series 5 enfrentariam um grande desafio: produtos mais baratos da concorrência. No final dos anos 90, os primeiros modelos da Palm (PalmPilot 1000 e 5000) começavam a conquistar espaço e a Microsoft apresentava a versão móvel de seu sistema operacional, o Windows CE (que mais tarde evoluiria para o Windows Mobile). Para enfrentar esse novo mercado, a Psion considerou licenciar o EPOC para outros fabricantes através de uma nova divisão da empresa, a Psion Software.
Em 1998, mudanças mais radicais começaram a ocorrer. Em junho daquele ano, a Psion Software juntou-se com a Ericsson, Motorola e Nokia em uma joint venture batizada de Symbian, que se tornaria a responsável pelo desenvolvimento do EPOC dali em diante. Em 1999 a nova empresa lançou seu primeiro produto, o EPOC Release 5 (apelidado extra oficialmente de Symbian OS 5.0), utilizado em equipamentos como o Psion Series 5mx (último produto da Series 5), Psion Series 7 e Psion Revo.

EPOC Release 5 rodando em um Psion Revo
Em junho de 2000, uma nova versão do EPOC é lançada, a Release 6, oficialmente rebatizada de Symbian OS 6.0. O caminho estava aberto para que as empresas licenciadas lançassem seus produtos baseados na nova plataforma, colocando um ponto final na era de exclusividade da Psion. Assim, também em 2000, a Ericsson apresentou o primeiro celular rodando Symbian, o modelo R380, precursor dos smartphones que seriam lançados pela Sony Ericsson no futuro.

Ericsson R380
O Ericsson R380 era um celular poderoso, dotado de uma tela monocromática sensível ao toque (manipulada por uma stylus que acompanhava o produto) coberta por um flip e com uma interface gráfica sofisticada. Entretanto, ele apresentava uma grande limitação: não permitia a instalação de software adicional, algo imprescindível nos smartphones de hoje.
O primeiro smartphone Symbian aberto para a instalação de aplicativos só chegaria ao mercado no ano seguinte. Em maio de 2001, a Nokia apresentou o modelo 9210, que representou um salto qualitativo imenso em seu portfolio de equipamentos. O Nokia 9210 possuia uma ampla tela colorida, teclado qwerty, aplicativos de escritório (editor de texto, planilha eletrônica, visualizador de apresentações, gerenciador de arquivos, agenda e calendário) e navegador WAP/HTML. Foi um dos poucos smartphones da Nokia a rodar a interface S80 (mais sobre isso no próximo artigo) e tornou-se um grande sucesso no mercado empresarial.

Nokia 9210

Nokia 7650
Gradativamente, o Symbian OS tornava-se mais robusto, poderoso e compatível com um número crescente de equipamentos. Em junho de 2001, a Nokia deu um importante passo na evolução da plataforma com o lançamento do modelo 7650, um smartphone no formato slider extremamente poderoso. Ele trazia a versão 6.1 do sistema, câmera fotográfica integrada (VGA), processador ARM9 de 32 bits (104 MHz), 4 MB de memória e, o mais imortante, a primeira versão da interface S60, desenvolvida especificamente para smartphones de tamanho reduzido e que hoje é a mais usada no universo Symbian. O Nokia 7650 foi muito bem recebido tanto pelo mercado quanto pela imprensa, tornando-se o modelo que serviria de base para a maior parte dos futuros smartphones da empresa, incluindo a mundialmente reconhecida NSeries.
No próximo artigo, vamos conversar sobre a evolução do Symbian a partir da versão 7.0, com foco em uma de suas principais interfaces, a UIQ. Até lá!